quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

   Passagens da minha vida

1. ANANASES

                  

Tinha eu 14 anos quando vim para Lisboa, trabalhar em casa de uma família estrangeira. Tinham três crianças, a terceira já nasceu quando eu lá estava. Uma rapariga e dois rapazes. Família judia, para mim excelentes pessoas.

Como, ao chegar, tudo me era novidade, andei um pouco às aranhas. Com saudades dos meus pais; tive de aprender a falar ao telefone; aprender a andar com um livro na cabeça, hirta, tipo manequim, para mostrar elegância ao servir os convidados.

Quando fui pela primeira vez à praça com a Senhora, fiquei de boca aberta ... Mas o que mais me espantou foram os ananases...

Pensei que eram pinhas! E admirada fiquei quando a Senhora pediu que lhe vendessem um  ananás

«Ah! Afinal não são pinhas!!!» - pensei.

Ao chegarmos a casa, a Senhora disse à Cozinheira:

-Margarida, arranje para o almoço!

E agora, como ia ser? Vi tudo!... Depois,  deram-me  a provar:

Gostei tanto que, ainda hoje, é a minha fruta preferida!


Idalina, 78 anos



quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

A escada do palhaço

 "O sorriso aos pés da escada" *

 Obra poética intensa, que usa a metáfora de um palhaço para explorar a vida, a diferença entre "ser" e "parecer", e a forma como as pessoas se escondem atrás de "máscaras" de sorriso. Quanto a mim, é uma história reflexiva e bonita. Convida-nos a questionar e a refletir a maneira como vivemos e como os outros nos veem.
Este conto narra a história de Augusto, um palhaço de circo muito popular, mas que, no fundo, se sente vazio e insatisfeito.
 A sua performance, embora aclamada pelo público é para ele uma farsa que o separa da sua verdadeira identidade.
 A sua vida muda radicalmente quando um sorriso genuíno misterioso, e espontaneamente nascido em si, o leva a uma busca por autodescoberta e pela Essência da Felicidade. Augusto, representa o artista e o ser humano que se esconde atrás de uma máscara, para agradar aos outros, perdendo a sua Essência.
A sua jornada é uma busca pela autenticidade e pela expressão verdadeira do seu ser, para lá das aparências.
A escada, inspirada na pintura de Miró, representa um símbolo de Ascensão espiritual e do percurso de autoconhecimento.
Representa os degraus que Augusto precisa de subir para atingir uma compreensão mais profunda de si mesmo e da vida.

Alzira Silva

* O presente texto é uma reflexão da nossa Vizinha de Leitura, Alzira Silva, sobre o conto de Henry Miller. 
Aparece como comprovativo da tendência de se ir além da simples leitura coletiva, envolvendo-se por vezes os participantes em recreativos processos de produção escrita individual ou partilhada.
Vamos continuar neste 2026, com votos de muita alegria e união à volta de cada novo livro que aparecer no nosso grupo .
JMB